Gestoras aceleram captação fora dos bancos e acendem alerta para riscos
Ouro Preto Investimentos – Em conversa recente no programa Stock Pickers, a gestora de quase R$ 17 bilhões destacou que Fundos de Investimento em Direitos Creditórios estão capturando carteiras que antes ficavam trancadas nos balanços bancários, abrindo uma avenida de retorno — e de armadilhas — para investidores e empresas.
- Em resumo: corrida dos FIDCs pode levar o crédito consignado privado de R$ 100 bi para R$ 600 bi, enfraquecendo a intermediação tradicional.
Do “império” bancário à desintermediação
Historicamente, bancos concentravam captação e empréstimo no Brasil. O avanço de debêntures e notas comerciais já havia deslocado parte desse poder; agora, a estrutura dos FIDCs empacota dívidas em fundos acessíveis a investidores qualificados e, em breve, ao varejo, segundo dados compilados pela Reuters.
“O grande mercado no mundo é o mercado de dívida. Essa dívida privada está saindo de dentro dos bancos e vindo para o mercado de capitais.” – João Peixoto Neto, CEO da Ouro Preto Investimentos
Oportunidades bilionárias e o risco da concentração
Cotas sênior prometem rendimento parecido com títulos públicos, enquanto as subordinadas concentram perdas – e lucros. A tentação de montar fundos com poucos cedentes, porém, eleva a chance de default. Esse cuidado é crucial num cenário em que a Selic permanece em dois dígitos e a inadimplência das famílias ronda 29%, segundo dados mais recentes do Banco Central.
Analistas lembram que, nos Estados Unidos, a BlackRock (US$ 11 tri) superou confortavelmente bancos como JPMorgan (US$ 3,5 tri). No Brasil, a figura pode se repetir conforme o open finance avança e fintechs recorrem aos FIDCs para escalar nichos como crédito estudantil, antecipação de comissões e o consignado privado — mercado que pode sextuplicar e chegar a R$ 600 bi, reforçando a pulverização dos fluxos de capital.
O que você acha? Já considera incluir FIDCs na carteira ou prefere manter distância até que a regulação amadureça? Para mais análises sobre crédito e renda fixa, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Ouro Preto Investimentos