Pressão tripla de petróleo, Treasuries e dólar encurrala o metal precioso
Comex – Na última segunda-feira, o ouro para entrega em agosto tombou 1,87%, fechando a US$ 4.475,20 por onça-troy. A fuga ocorreu na esteira da disparada do petróleo, dos rendimentos dos Treasuries e do fortalecimento do dólar, fatores que corroem a atratividade do metal para proteção de carteira.
- Em resumo: choque de oferta no petróleo elevou inflação esperada, encareceu juros reais e detonou venda de ouro.
Energia cara e tensão no Oriente Médio reacendem inflação
O corte nas tratativas entre Estados Unidos e Irã, divulgado pela agência iraniana Tasnim, colocou mais lenha na fogueira dos preços do barril. A ameaça de bloqueio ao Estreito de Ormuz — rota de um quinto do tráfego global de petróleo — fez o Brent saltar e levou os yields dos Treasuries a máximas de cinco semanas, movimento clássico de busca por prêmio de risco.
“O ouro brilha em crises financeiras, não em choques de energia que elevam juros reais e dólar”, avaliou Ole Hansen, estrategista-chefe do Saxo Bank.
Porque a liquidação pode não parar por aqui
Historicamente, cada 10% de alta no petróleo adiciona até 0,3 p.p. à inflação norte-americana, segundo cálculos do Fed de Dallas. Se a escalada persistir, o mercado tende a precificar menos cortes de juros do Federal Reserve, o que sustentaria rendimentos elevados e pressionaria ainda mais o ouro. Além disso, alguns bancos centrais importadores de energia podem vender parte de suas reservas do metal para defender o câmbio — cenário que amplifica a oferta no mercado à vista.
O que você acha? A correção do ouro abre espaço para compra tática ou sinaliza tendência de baixa prolongada? Para mais análises do pregão, visite nossa editoria de Mercado Financeiro.
Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images