Escalada no Golfo pressiona preços e acende alerta inflacionário
Opep+ – A aliança concordou em elevar em 206 mil barris diários sua meta de produção para maio, mas o quase bloqueio do Estreito de Hormuz mantém navios parados e torna o ajuste meramente simbólico, mantendo o Brent perto de US$ 109.
- Em resumo: Cotação do Brent segue acima de US$ 100, enquanto 10% da oferta global do Golfo permanece fora do mercado.
Quota maior, fluxo menor: o paradoxo dos 206 mil barris
A decisão tomada por sauditas e russos, em videoconferência no domingo (5), mira reequilibrar o mercado assim que as hostilidades cederem, mas a logística continua travada. Segundo dados da Bloomberg, os produtores do Golfo já cortaram cerca de 10 milhões de barris por dia após cinco semanas de conflito.
Os futuros do Brent fecharam perto de US$ 109, depois de terem tocado quase US$ 120 no pico da tensão, pressionando querosene e diesel e ameaçando reacender a inflação global.
Por que Hormuz importa para o seu bolso e para os bancos centrais
O corredor marítimo responde, em tempos normais, por um quinto do petróleo mundial. Qualquer interrupção prolongada tende a elevar custos de transporte, repassar alta aos combustíveis e complicar a tarefa de bancos centrais que ainda combatem a inércia inflacionária. Em 2019, quando drones atingiram instalações sauditas, o choque foi superado em semanas; desta vez, a Agência Internacional de Energia classifica o gargalo como a “maior interrupção da história”.
Se o Brent voltar a US$ 120, analistas lembram que cada alta de US$ 10 no barril pode acrescentar até 0,4 ponto percentual à inflação dos EUA e da zona do euro. Para economias emergentes, o impacto é duplo: pressiona balança comercial e força subsídios ou reajustes de combustíveis, afetando diretamente o preço do frete e dos alimentos.
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Crédito da imagem: Divulgação / Bloomberg