Gestores correm para redesenhar carteiras após choque geopolítico
IHFA – O índice que espelha o desempenho médio dos fundos multimercados virou do positivo para quase zero depois do início da ofensiva no Oriente Médio, levando o investidor a reavaliar a utilidade desses veículos de diversificação.
- Em resumo: de +3,60% até 27/2, o IHFA despencou para 0,05% no trimestre, enquanto o CDI avançou 3,5%.
Por que a descorrelação ainda interessa ao investidor
A principal função dos multimercados é reduzir o risco agregado, exatamente porque seus retornos caminham fora do compasso da bolsa, do câmbio ou dos juros. Segundo a Reuters, a disparada do petróleo intensificou a visão de inflação global mais persistente, cenário que surpreendeu gestores posicionados para um corte de juros mais acelerado no Brasil.
“Os gestores tendem a recuperar as perdas nas próximas semanas e meses, embora o ambiente de incerteza e volatilidade exista”, disse Pedro Rudge, diretor da Anbima, em 13/5.
Corte de juros mais lento muda o jogo — mas não invalida a estratégia
Pelo histórico, sempre que o prêmio pago pelo CDI sobe – hoje em 10,50% ao ano –, fundos multimercados bem diversificados costumam reforçar posições em renda fixa global e em commodities para capturar assimetrias. A combinação de menor volatilidade com correlação de apenas 0,03 ponto frente ao CDI mantém o produto relevante para:
• Conservadores: entrada gradual em ativos de risco sem viver o sobe-e-desce da bolsa.
• Agressivos: proteção quando todos os ativos “andam juntos”, fenômeno comum em choques geopolíticos.
No pano de fundo, o IPCA de 0,38% em abril e a sinalização de um Copom mais cauteloso sugerem um ciclo de afrouxamento monetário menor, o que favorece estratégias que mesclam juros nominais locais, dólar e metais básicos. Já no exterior, o Fed mantém a taxa entre 5,25% e 5,50%, criando oportunidades de arbitragem que gestores brasileiros começam a explorar.
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Crédito da imagem: Divulgação / InvestNews