Descompasso de preços incentiva corrida às portas de saída
JGP – Segundo a gestora brasileira, a recente avalanche de saques em fundos listados de crédito privado nos Estados Unidos abriu uma janela de arbitragem que premia quem resgata e penaliza quem vende cotas em bolsa, pressionando todo o setor.
- Em resumo: cotista que pede resgate recebe o valor patrimonial cheio, enquanto quem liquida na tela aceita desconto de dois dígitos.
NAV x Bolsa: falha estrutural vira lucro fácil
O modelo híbrido desses veículos – que permite resgatar até 5% do patrimônio a cada trimestre e, ao mesmo tempo, negociar cotas no pregão – criou a distorção destacada pela JGP. Gestoras como Apollo, Blackstone e Blue Owl já limitaram solicitações, após os descontos em bolsa superarem 15%, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.
“O investidor realiza um ganho quando ele resgata”, explicou Alexandre Muller, gestor de crédito privado da JGP.
Por que o alerta ecoa além de Wall Street
A tensão chega num momento em que a Federal Reserve mantém a taxa básica na faixa de 5,25%-5,50% – o nível mais alto desde 2001. Com o custo do dinheiro elevado, o estoque de crédito privado dos EUA, que já supera US$ 1,6 trilhão, enfrenta revisão de preços, sobretudo em setores sensíveis à disrupção tecnológica, como software e mídia.
Jamie Dimon, do JPMorgan, comparou o excesso de alavancagem atual aos sinais pré-crise de 2008, enquanto Howard Marks, da Oaktree, atribuiu o boom à “inveja de retornos” e ao medo de ficar de fora. A mensagem é clara: quando a liquidez some, estruturas mal desenhadas tornam-se um risco sistêmico.
No Brasil, apesar de escândalos recentes de Americanas e Light, os fundos passam por auditoria externa e marcação independente, reduzindo a chance de dupla precificação. Ainda assim, a alta dos juros locais para 10,75% ao ano encarece o refinanciamento e deixa o investidor seletivo, reforçando a recomendação de diversificar vencimentos e checar cláusulas de resgate.
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Crédito da imagem: Bloomberg / Qilai Shen