Cientista desce todo mês aos corredores soterrados para conter resíduos fatais
Usina Nuclear de Chernobyl – Trinta e oito anos após a explosão de 26/04/1986, técnicos ucranianos ainda percorrem o subsolo do reator 4 para medir a radiação e impedir reações fora de controle, uma rotina que pressiona orçamentos públicos e mantém a Europa em alerta energético.
- Em resumo: 200 t de combustível nuclear permanecem sob o “sarcófago” e exigem inspeções mensais de menos de 4 min por sala.
Medidas extremas garantem estabilidade, mas o relógio corre
O pesquisador Anatolii Doroshenko, do Instituto de Problemas de Segurança das Centrais Nucleares, avança por túneis estreitos guiado por mapas de contaminação e usa traje multicamadas para limitar a dose de radiação. Segundo projeção da Reuters, o desmantelamento completo pode custar bilhões de dólares até meados do século.
“O medo ajuda a manter o controle e a seguir cada protocolo de segurança”, resume Doroshenko, que monitora formações de cório como a famosa “pata de elefante”.
Impacto orçamentário e lições para o setor nuclear mundial
Em pleno debate sobre fontes limpas, o caso Chernobyl continua a balizar seguros, licenciamento e fundos de descomissionamento de novas usinas. A Agência Internacional de Energia Atômica estima que o Novo Confinamento Seguro, erguido em 2016, precise de manutenção anual multimilionária até 2116, período em que governos e investidores deverão provisionar recursos.
Governanças corporativas que ignoram custos de longo prazo veem o risco refletir no preço de suas ações sempre que relatórios sobre Chernobyl ganham manchetes. Para analistas, acidentes como o de Fukushima (2011) reforçaram a exigência de reservas financeiras obrigatórias, prática que pressiona, mas também protege, o caixa das operadoras nucleares.
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Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images via BBC