Reajuste expressivo blinda trabalhadores contra alta de custos médicos nos EUA
JBS — A gigante global de proteína animal fechou um pacto de dois anos com os 3,8 mil funcionários de sua unidade de Greeley, Colorado, após um mês de paralisação que ameaçava a oferta de carne bovina norte-americana.
- Em resumo: acordo garante aumento salarial de quase 33% e zera cobrança por EPIs.
Salário turbinado em plena inflação persistente
O acerto, ratificado pelo sindicato United Food and Commercial Workers Local 7, eleva os contracheques em quase um terço e congela a contribuição dos empregados para planos de saúde. A medida ocorre enquanto o índice de preços ao consumidor dos EUA segue acima da meta do Fed, reforçando pressões salariais no setor alimentício, segundo a agência Reuters.
O pacote mantém a última oferta da empresa e elimina sete denúncias de práticas trabalhistas injustas, informou a JBS em nota.
Oferta de gado no menor nível em 75 anos agrava cenário
A escassez de rebanho nos EUA já havia puxado os preços da carne para recordes históricos em 2024. Greves em Greeley e o recente fechamento de plantas da Tyson Foods reduziram ainda mais a capacidade de abate, elevando o risco de repasse de custos ao consumidor e de compressão de margem para processadoras.
Apesar da trégua, a companhia lamentou o fim de um benefício previdenciário nacional negociado em 2023. Para analistas, a retirada do plano pode abrir novos flancos de negociação em 2026, quando o novo contrato vencer, num momento em que a JBS busca listagem na NYSE e precisa exibir governança e estabilidade trabalhista robustas.
Globalmente, a holding brasileira enfrenta custos maiores de grãos e câmbio volátil, mas se beneficia da demanda asiática por carne premium. O consenso de mercado projeta que, se o acordo evitar paralisações até o próximo ciclo de confinamento, o impacto líquido sobre o Ebitda norte-americano tende a ser limitado a ponto percentual baixo, mantendo o guidance anual.
O que você acha? O reajuste de 33% pressiona margens ou fortalece a reputação da empresa antes do IPO em Nova York? Para mais análises sobre o setor de proteínas e mercado, confira nossa editoria de Mercado Financeiro.
Crédito da imagem: Divulgação / JBS