Recrutamento infantil amplia risco de sanções e pressiona preços do petróleo
Anistia Internacional – Em comunicado divulgado recentemente, a ONG acusou Teerã de alistar menores de até 12 anos na força voluntária Basij, ligada à Guarda Revolucionária. A prática, classificada como crime de guerra, reacende o temor de novas sanções ocidentais, capazes de contaminar cadeias de suprimento e encarecer o barril de petróleo no curto prazo.
- Em resumo: Provas em vídeo mostram crianças armadas em postos de controle iranianos, segundo a Anistia.
Vídeos, testemunhas e transmissão da Band reforçam denúncia
O alerta ganhou repercussão depois que imagens exibidas pela Band e relatos coletados pela BBC mostraram adolescentes apontando fuzis do tipo Kalashnikov contra veículos civis na capital e em outras cidades. Dados verificados pela Reuters confirmam a mobilização emergencial batizada de “Combatentes Defensores da Pátria do Irã”.
“Com ataques a milhares de instalações da Guarda, colocar crianças nesses postos as expõe a risco letal”, criticou Erika Guevara-Rosas, diretora da Anistia.
Sete milhões “prontos para lutar” e impacto no mercado
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou que 7 milhões de cidadãos estariam aptos a enfrentar uma incursão terrestre dos EUA. Embora o número careça de comprovação independente, a retórica aumenta a volatilidade nos mercados de energia: investidores monitoram possíveis interrupções na exportação de 3,2 milhões de barris diários de petróleo iraniano.
Historicamente, anúncios de sanções ao Irã impulsionam o Brent em até 5% em poucas sessões. Em 2018, quando Washington restabeleceu bloqueios ao setor de energia, o barril saltou de US$ 72 para US$ 86 em seis semanas. Caso a denúncia da Anistia leve a novas restrições, o cenário pode se repetir, agravando pressões inflacionárias globais justamente quando os bancos centrais sinalizam cortes de juros limitados.
O que você acha? O risco geopolítico pode devolver o petróleo aos US$ 90? Para acompanhar análises atualizadas, acesse nossa editoria de Mercado Financeiro.
Crédito da imagem: REUTERS / Dado Ruvic