Fertilizante oceânico das gigantes marinhas pode mexer no mercado de carbono
Universidade de Washington – Um estudo recente mediu a riqueza mineral das fezes de baleias jubarte e azul e revelou um efeito econômico inesperado: o ciclo digestivo desses mamíferos retira cerca de 400 mil toneladas de CO₂ da atmosfera todos os anos, volume que rivaliza com projetos industriais de sequestro de carbono.
- Em resumo: a “adubação” marinha das baleias estimula fitoplâncton, base da cadeia alimentar que estoca carbono no fundo do mar.
O adubo invisível que multiplica fitoplâncton e captura carbono
Cada quilograma de excreção analisado concentrou em média 145,9 mg de ferro, número “dez milhões de vezes” acima da água do Mar do Sul. Esse estoque mineral cria florescimentos de microalgas capazes de absorver grandes quantidades de CO₂ antes de afundar para as profundezas, segundo detalhou a equipe de Patrick Monreal. A mesma dinâmica já havia sido apontada em investigações independentes da Reuters, que classificou as baleias como “engenheiras do clima”.
O comportamento de caça, subida para respirar e liberação de fezes forma uma “bomba de nutrientes” que, sozinha, pode enterrar 400 mil t de carbono por ano – Proceedings of the Royal Society B.
Quanto valeria essa “usina natural” no mercado de carbono?
Se fosse possível tokenizar todo o CO₂ sequestrado pelas baleias ao preço médio de US$ 50 por tonelada nos principais programas voluntários, o potencial financeiro ultrapassaria US$ 20 milhões anuais. Para países que estudam incluir projetos de restauração marinha em metas de NDCs, proteger rotas de migração dos cetáceos pode sair mais barato – e mais eficiente – que instalar novas plantas de captura direta.
Nossa atual frota de baleias, contudo, opera com apenas 10% da capacidade pré-caça comercial. Recuperar populações originais multiplicaria a fixação de carbono e reduziria pressões regulatórias sobre setores intensivos em energia. Bancos centrais europeus já discutem incorporar riscos de biodiversidade nas avaliações de estabilidade financeira, movimento que pode acelerar o interesse de investidores em soluções baseadas na natureza.
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Crédito da imagem: Divulgação / Universidade de Washington