Comboio mauritano revela a engenharia extrema e o peso da commodity no PIB do país
SNIM – A estatal mauritana que gerencia o colosso de aço de 2,5 km mantém, em plena areia do Saara, a principal artéria que escoa minério de ferro para o Atlântico, sustentando a balança comercial do país e atraindo o olhar de traders globais.
- Em resumo: um trenó metálico de 704 km garante a entrega do minério da Mauritânia ao mundo – e, junto, boa parte do caixa do governo.
Estrutura gigante sustenta 40% das exportações da Mauritânia
De Zouérat ao porto de Nouadhibou, mais de 200 vagões cruzam dunas que engolem trilhos, exigindo equipes de manutenção 24 h. Segundo levantamento citado pela Reuters, o minério de ferro responde hoje por quase dois quintos da pauta de vendas externas mauritana, injetando dólares que financiam infraestrutura e programas sociais.
Com até 2,5 km de extensão, o trem leva 12 h para percorrer 704 km, arrastando mais de 200 vagões cheios de rocha ferrosa sob temperaturas que chegam a 45 °C durante o dia.
Por que o minério do Saara influencia cotações internacionais
O rally recente do aço na China puxou a tonelada de ferro acima dos US$ 100 e elevou a procura por origens alternativas fora da Austrália e do Brasil. A Mauritânia, mesmo com participação modesta no volume global, virou peça de equilíbrio: qualquer interrupção na linha da SNIM aperta a oferta spot e gera prêmio de curto prazo nos futuros de Singapura.
Dados do Banco Mundial indicam que, em 2022, o minério rendeu 34% da receita de exportação do país norte-africano. Um gargalo logístico, portanto, não é risco apenas para a SNIM; ele reverbera sobre a arrecadação governamental e, por tabela, sobre a nota de crédito soberano.
O que você acha? Uma eventual paralisação desse trem poderia mexer no preço global do ferro? Para acompanhar outras análises de impacto em empresas de commodities, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / SNIM