Tecnologia milenar pode cortar custos de manutenção de infraestruturas globais
MIT – Em estudo publicado em janeiro de 2023, pesquisadores explicam por que o concreto usado no Panteão resiste há dois milênios, enquanto obras modernas precisam de reformas caras em poucas décadas.
- Em resumo: nódulos de cal na mistura reagem com água da chuva e selam rachaduras, prolongando a vida útil para além de 2.000 anos.
Autocura química que dispensa aço e reduz riscos de colapso
A equipe identificou os lime clasts, fragmentos de cal que entram em ação quando a estrutura trinca. Eles liberam hidróxido de cálcio, que se transforma em carbonato de cálcio e preenche a fissura. Ao contrário do cimento Portland – dependente de vergalhões suscetíveis à corrosão –, o material romano dispensa armaduras metálicas, eliminando o spalling que encarece a manutenção de pontes e prédios. De acordo com dados compilados pela Reuters, só a corrosão custa mais de US$ 100 bilhões por ano ao setor de infraestrutura.
“A vida útil comprovada de algumas estruturas romanas ultrapassa 2.000 anos, um horizonte que a engenharia moderna ainda não consegue projetar para o concreto convencional.” – Science Advances, 2023
Impacto econômico e climático de um cimento que aprende com o tempo
O cimento Portland responde por cerca de 8% das emissões globais de CO₂. Replicar a fórmula romana, baseada em cinzas vulcânicas, poderia reduzir drasticamente esse número e o CAPEX em obras públicas, liberando orçamento para novas concessões e atraindo investidores de infraestrutura verde. Países costeiros, em especial, veriam menor necessidade de reparos em diques e portos, setores onde o sal marinho acelera fissuras no concreto tradicional.
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Crédito da imagem: Divulgação / MIT