Pressão dos juros futuros e tensão externa derrubam a Bolsa brasileira
Ibovespa – O principal indicador da B3 fechou a sessão de 22/04 em queda de 1,65%, aos 192.888,96 pontos, voltando a níveis de março e anulando o rali do início do mês. A sangria veio com a realização em grandes bancos e a escalada dos juros futuros, enquanto investidores monitoram o impasse geopolítico no Oriente Médio e os sinais de cautela do Banco Central.
- Em resumo: R$ 26,5 bi em negócios e fuga de R$ 3,2 mil pontos em um único pregão.
Bancos puxam o freio, Petrobras segura parte do tombo
BBAS3 (-3,6%), BBDC4 (-3%), ITUB4 (-2,9%) e SANB11 (-3,3%) responderam por quase metade dos pontos negativos do dia. A preocupação é dupla: provisões mais altas no setor e chance de corte menor da Selic na reunião do Copom, diante da reprecificação dos DIs. Já a disparada do petróleo Brent acima de US$ 100 sustentou PETR4 (+1,5%), enquanto a Vale recuou 1,7% mesmo com minério em alta.
BofA manteve o call otimista e elevou a meta do Ibovespa para 210 mil pontos, mas alertou: “qualquer escalada de risco pode atrasar o fluxo para emergentes”.
Dólar estável, mas curva de juros dispara e derruba expectativas
O câmbio ficou praticamente no zero a zero, a R$ 4,974, protegido pelo superávit comercial e oferta firme de exportadores. Já a taxa DI jan/27 saltou para 13,98%, devolvendo parte das apostas de Selic a 9% até dezembro. O movimento ecoa o Fed: o mercado, que há um mês projetava três cortes nos EUA, precifica agora apenas um – cenário que encarece o custo de capital no Brasil e penaliza setores sensíveis como varejo e construção.
Historicamente, cada 1 ponto de avanço no DI de cinco anos reduz em quase 4 mil pontos o valor justo do Ibovespa. Se a tensão persistir, analistas veem espaço para teste dos 188 mil pontos, suporte de fevereiro.
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Crédito da imagem: Divulgação / B3