Hidrofólios elevam o casco e podem redefinir o frete costeiro silencioso
Candela — A fabricante sueca acaba de lançar a lancha C-8, que “decola” a 30 km/h, remove o contato do casco com a água e promete um corte radical de custos operacionais para marinas, táxis aquáticos e até linhas de transporte público.
- Em resumo: Sustentação hidrodinâmica reduz em 80% o arrasto e elimina o consumo de até 750 litros de diesel por viagem.
Do zero a 30 km/h: a física por trás do corte de combustível
Ao atingir velocidade de cruzeiro, três hidrofólios subterrâneos levantam o casco em 50 cm. Segundo a Bloomberg, a estratégia reduz a área molhada, prolonga a autonomia a 57 milhas náuticas e torna viável a bateria automotiva de 69 kWh fornecida pela Polestar.
Sensores embarcados leem altura de onda, vento e inclinação 100 vezes por segundo, mantendo estabilidade e cortando 90% das forças g sentidas pelos passageiros.
Potencial de mercado: do iate de lazer ao shuttle urbano
A Candela já converteu a tecnologia no P-12 Shuttle, balsa que eleva em 15 % a capacidade de passageiros no arquipélago de Estocolmo e derruba custos de manutenção em 60 %. A inovação nasce em meio à pressão global para reduzir as 940 Mt de CO₂ emitidas anualmente pela navegação — dado da Organização Marítima Internacional.
No Brasil, cidades costeiras como Rio e Salvador discutem corredores aquáticos no PAC da Mobilidade. Analistas veem espaço para contratos públicos, pois o consumo energético da C-8 custa cerca de €110 por recarga rápida, vulnerando o modelo a diesel diante do aumento de 9,2 % no preço do combustível marítimo em 12 meses, segundo a ANP.
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Crédito da imagem: Divulgação / Candela