Entenda como o “bastião doméstico” pode blindar você da cultura do desempenho
Byung-Chul Han – filósofo sul-coreano radicado em Berlim – volta aos holofotes após receber, em 2025, o Prêmio Princesa das Astúrias. Seu recado, porém, mira o nosso presente hiperconectado: a verdadeira zona de liberdade pode estar dentro de casa, longe do feed infinito que transforma cada clique em trabalho não pago.
- Em resumo: Han vê o lar como única trincheira capaz de barrar a autoexploração que alimenta burnout e ansiedade.
Do trabalho visível ao “turno invisível” do smartphone
A tese de Han ecoa a mudança descrita na obra “A Sociedade do Cansaço”. Se antes o poder exigia obediência explícita, hoje ele se infiltra pela autoexigência: likes que valem métricas, metas que nunca fecham. Dados do Ministério da Saúde mostram que os afastamentos por transtornos mentais cresceram 30% em cinco anos – um sintoma da lógica que o filósofo denuncia. Reportagem da Exame detalha o avanço desse esgotamento entre profissionais de tecnologia e educação.
“Ficar em casa é a forma mais lúcida de resistência; é um bastião de liberdade”, sustenta Byung-Chul Han ao criticar um capitalismo que “despreza o vazio e o silêncio”.
Silêncio, demora e tédio criativo: antídotos que valem ouro
Ao defender o “tédio criativo”, Han resgata práticas antes vistas como perda de tempo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cada US$ 1 investido em prevenção de estresse gera retorno de US$ 4 em produtividade – prova de que parar também é negócio.
Especialistas lembram que países como Alemanha e França discutem leis de “direito à desconexão” desde 2017; no Brasil, o debate ganhou força na reforma trabalhista, mas ainda carece de regulamentação específica. Se o legislador demora, o indivíduo pode agir já: reservas de horário offline, rituais sem tela e espaços físicos livres de notificação são passos práticos alinhados à “práxis da demora” preconizada pelo pensador.
O que você acha? Seu lar funciona como abrigo ou extensão do escritório? Para mais análises sobre trabalho e saúde mental, visite nossa editoria.
Crédito da imagem: Divulgação / BMC News