Bloqueio milionário pode redesenhar o mercado de registradoras
B3 – A dona da bolsa brasileira recebeu, na última segunda-feira (25/5), parecer da Superintendência-Geral do Cade pedindo o veto à compra de 60% da Central de Registro de Direitos Creditórios (CRDC) por R$ 15 milhões, alegando riscos de concentração e barreira a novos entrantes.
- Em resumo: Cade teme que a aquisição consolide domínio da B3 em registradoras e enfraqueça a rivalidade nos mercados de duplicatas e FIDCs.
Por que o Cade vê ameaça à concorrência?
A área técnica apontou que a transação eliminaria um player relevante num segmento já concentrado, com altos custos de entrada. Segundo relatório publicado no Valor Econômico, o órgão destaca que o amplo portfólio da B3 poderia ser usado para impor condições comerciais desfavoráveis a bancos, fintechs e securitizadoras.
O caso foi classificado como “complexo” e requer “análise aprofundada de efeitos conglomerais”, diz o parecer técnico da Superintendência-Geral do Cade.
Impacto potencial em crédito e FIDCs
O veto, se confirmado pelos conselheiros, manterá a CRDC como opção independente no registro de duplicatas escriturais — mercado que tende a crescer após a Lei 13.775/2018, que digitalizou esses títulos. Para investidores, maior diversidade de registradoras amplia a transparência de lastros em FIDCs, segmento que movimentou mais de R$ 300 bilhões em 2023, de acordo com dados da B3.
O que você acha? A decisão final do tribunal do Cade deve proteger ou atrasar a modernização do mercado de crédito? Para mais análises sobre regulação e concorrência, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / B3