Negócio bilionário amplia pressão por cadeias de suprimento fora da Ásia
USA Rare Earth confirmou recentemente a compra da brasileira Serra Verde por US$ 2,8 bilhões, movimentação que pode redesenhar o fluxo global de terras raras e atrair novos investimentos estratégicos para o Brasil.
- Em resumo: acordo inclui US$ 300 mi em dinheiro mais 126,8 mi de ações, criando grupo com oito operações em quatro países.
Brasil vira peça-chave na disputa EUA x China
A negociação, destacada pela Bloomberg, faz parte da corrida de Washington para diminuir a dependência da China no refino desses 17 elementos essenciais a carros elétricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa.
“Como único produtor em escala fora da Ásia, estamos em posição singular para facilitar cadeias de suprimento confiáveis e sustentáveis”, afirmou Ricardo Grossi, COO da Serra Verde.
Financiamento recorde e potencial de valor agregado local
Antes da venda, a mina de Minaçu (GO) já havia recebido US$ 565 milhões da Development Finance Corporation, sinal de que o governo norte-americano vê o ativo como estratégico. Para analistas, o cheque reforça a tese de que o país pode sair da posição de exportador de commodities para a de fornecedor de componentes de alto valor, a exemplo do Carbonato Misto de Terras Raras (MREC) rico em disprósio e térbio.
No radar macroeconômico, o Ministério de Minas e Energia estima que a demanda global por metais críticos deve crescer 3 vezes até 2035, impulsionada pela transição energética. Esse gargalo pode colocar o Brasil — detentor da 2ª maior reserva mundial, com 21 milhões de toneladas — no centro de novos acordos comerciais e de financiamento verde.
O que você acha? O Brasil conseguirá avançar para o refino de alto valor ou continuará como mero fornecedor de minério bruto? Para acompanhar outras análises sobre negócios de mineração, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / USA Rare Earth