Folgas seguem dois dias por semana, mas não há garantia de sábado e domingo
Câmara dos Deputados – Na noite da última quarta-feira (27), a Casa aprovou a PEC que reduz a jornada de trabalho de 44 h para 40 h semanais e elimina a tradicional escala 6×1. A medida, que agora vai ao Senado, pode remodelar escalas, folha de pagamento e produtividade em todo o país.
- Em resumo: o texto garante duas folgas de 24 h, mas não obriga que caiam no fim de semana.
Implementação em fases deve exigir planejamento de caixa
Pelo texto, as primeiras duas horas saem em até 60 dias após a promulgação; as outras duas, 12 meses depois. Como mostrou o Valor Econômico, a mudança pode pressionar margens de setores intensivos em mão de obra, exigindo renegociação de turnos e ajustes tecnológicos.
“O essencial é que sejam assegurados dois períodos de descanso semanal, cada um com 24 horas consecutivas, independentemente dos dias em que ocorram”, explica o advogado trabalhista Antonio Vasconcellos Junior.
Impacto setorial: comércio, saúde e serviços na linha de frente
Empresas que funcionam 24 h tendem a manter operações contínuas com escala 5×2 ou 12×36, mas terão de redistribuir equipes para cobrir as 4 horas a menos por empregado. Segundo o IBGE, comércio e serviços respondem por mais de 60% dos postos regidos pela CLT; cada ponto percentual de custo adicional pode afetar repasses de preços ao consumidor em um cenário de inflação ainda monitorada pelo Banco Central.
Comparado a integrantes da OCDE, onde a média é de 38 h, o novo teto aproxima o Brasil de práticas globais e pode estimular ganhos de eficiência se acompanhado de investimento em automação. Em contrapartida, pequenas empresas podem sentir efeito imediato no fluxo de caixa, especialmente com o salário mantido integralmente.
O que você acha? Sua empresa já calcula o impacto da redução de jornada? Para mais análises sobre reformas trabalhistas e seus reflexos nos negócios, acesse nossa editoria de Negócios.
Crédito da imagem: Divulgação / Tânia Rêgo – Agência Brasil