Descoberta reacende debate sobre segurança cognitiva de cirurgias
Universidade Yale – Um mapeamento inédito de ondas cerebrais indica que, durante a anestesia geral, o cérebro humano entra num padrão elétrico muito mais próximo do coma do que do sono natural, levantando novas questões sobre riscos de confusão mental e perda de memória no pós-operatório.
- Em resumo: eletrodos mostraram que a atividade cerebral sob anestesia se aproxima do estado de inconsciência severa.
Por que o padrão elétrico foge ao sono fisiológico?
Os pesquisadores compararam sinais captados de pacientes sedados com registros de vigília, sono leve, sono REM, sono profundo e coma. O resultado, publicado nos Proceedings of the National Academy of Sciences, surpreendeu pela convergência com o coma, como detalhado em reportagem da Reuters.
“O cérebro não evoluiu para ser anestesiado; entender como ele retorna desse estado pode reduzir efeitos colaterais”, disse a anestesiologista Janna Helfrich, coautora da pesquisa.
Impacto clínico e custo econômico dos efeitos colaterais
Cerca de 300 milhões de cirurgias demandam anestesia geral por ano no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Estudos independentes estimam que até 20% dos pacientes acima de 65 anos apresentem delírio ou comprometimento cognitivo transitório após o procedimento, encarecendo internações e aumentando a carga sobre sistemas de saúde.
O grupo de Yale planeja testar combinações de fármacos ou ajustes na taxa de infusão para aproximar o estado induzido dos ritmos de sono REM e, assim, preservar a função neurocognitiva. Caso haja sucesso, hospitais podem reduzir tempo de UTI e economizar recursos significativos, sobretudo em populações envelhecidas.
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Crédito da imagem: Divulgação / Unsplash