Inflação desacelera, mas itens símbolo da data continuam subindo
FGV IBRE — Levantamento recente mostra que, mesmo após dois anos de alívio no índice geral da cesta de Páscoa, o brasileiro ainda paga bem mais por chocolates e bacalhau do que em 2022, pressionando o orçamento familiar na Semana Santa.
- Em resumo: chocolate acumula +49,26% e bacalhau +31,21% entre 2022 e 2026.
Cacau caro e falta de estoques empurram preço dos ovos
O preço internacional do cacau, afetado por problemas climáticos na Costa do Marfim e em Gana, mais que dobrou em alguns momentos de 2025, segundo dados compilados pela Reuters. Como parte do custo é dolarizada, a desvalorização do real amplifica o repasse ao consumidor.
Entre 2022 e 2026, bombons e chocolates avançaram 49,26%, revela a FGV IBRE.
Além da matéria-prima mais cara, a demanda pontual de março e abril reduz as promoções. Indústria e varejo compram estoques antecipadamente, travando contratos em dólar e transferindo a alta para os ovos de Páscoa.
Demanda concentrada e dólar forte elevam o preço do bacalhau
Quase todo o bacalhau consumido no País é importado da Noruega e de Portugal. Com o dólar rondando R$ 5 nos primeiros meses de 2026 e fretes marítimos ainda pressionados, o peixe acumula +31,21% no quadriênio. A taxa básica de juros em 11,25% ao ano também encarece capital de giro, dificultando grandes compras antecipadas pelo varejo.
No varejo, a concentração das vendas em poucas semanas limita descontos. Resultado: famílias religiosamente fiéis à tradição pagam mais e veem o prato virar item de luxo em alguns lares.
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Crédito da imagem: Divulgação / FGV IBRE