Do aumento de afastamentos ao risco de indenizações, entenda o efeito dominó para as empresas
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) – Nas últimas semanas, o órgão vem registrando mais pedidos de auxílio-doença ligados à Síndrome de Burnout, especialmente entre profissionais contábeis, acendendo um sinal de alerta para empresas que podem arcar com custos extras de afastamento e ações trabalhistas.
- Em resumo: Sinais não tratados de esgotamento transformam-se em passivos financeiros e jurídicos para empregadores.
Sintomas ignorados viram passivo trabalhista
Insônia crônica, pressão alta e queda acentuada de produtividade formam o tripé que precede a explosão de pedidos de licença. Segundo dados compilados pela Bloomberg Línea, transtornos mentais custam US$ 1 trilhão por ano à economia global em perda de produção.
A Organização Mundial da Saúde classificou o Burnout como “fenômeno ocupacional” em 2022, reforçando a obrigação de as empresas adotarem protocolos de prevenção.
Pressão fiscal, prazos apertados e efeito cascata na folha
No setor contábil, o calendário tributário brasileiro — que conta com mais de 90 obrigações acessórias ao longo do ano — eleva a tensão nas equipes. Esse cenário, combinado à alta rotatividade e à busca por produtividade em tempos de Selic elevada, cria um terreno fértil para o esgotamento.
Economistas lembram que, após a Reforma Trabalhista, indenizações por danos morais ligados a saúde mental passaram a considerar o salário do empregado como multiplicador, podendo chegar a 50 vezes a remuneração mensal em casos graves. Além disso, o afastamento acima de 15 dias transfere o ônus para o INSS, mas mantém o empregador responsável pelo recolhimento do FGTS e pelo retorno adaptado do colaborador.
Como blindar caixa e equipe
Auditoria de carga horária, canais anônimos de escuta e metas realistas são práticas que reduzem não apenas o risco jurídico, mas também custos indiretos como horas extras e retrabalho. Companhias que incluíram programas de bem-estar observaram queda de até 25 % nos afastamentos por transtornos mentais, mostram levantamentos da Associação Brasileira de Recursos Humanos.
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Crédito da imagem: Divulgação / Jornal Contábil