Setor de carne bovina entra na mira e pode perder espaço na China
EUA – Em relatório recém-divulgado, o Escritório do Representante de Comércio propôs sobretaxa de 12,5% sobre importações brasileiras, citando uso de trabalho forçado na pecuária. A medida, ainda em consulta pública, ameaça margens de frigoríficos e pode reembaralhar a disputa por clientes como a China, destino de quase 60% da carne bovina exportada pelo Brasil.
- Em resumo: Washington lista o Brasil entre 59 países que “falham em barrar produtos feitos com trabalho forçado” e estuda tarifa punitiva.
Por que o gado brasileiro foi parar na “lista suja”
O relatório faz referência direta à “Lista Suja” do Ministério do Trabalho, que reúne fazendas autuadas por condições análogas à escravidão. Segundo o USTR, “está bem documentado” o uso de mão-de-obra forçada na produção de gado. De 2015 a 2025, o volume de carne bovina congelada embarcada pelo Brasil às economias investigadas praticamente dobrou, vantagem que, para os Estados Unidos, distorce a concorrência. Dados compilados pela Reuters indicam que frigoríficos listados em bolsas americanas perderam 8% de participação no mercado chinês no mesmo intervalo.
“A falha em proibir legalmente a entrada de produtos feitos com trabalho forçado é irrazoável e onera o comércio norte-americano”, sustenta o documento de 98 páginas.
Quanto uma tarifa de 12,5% mexe no fluxo de exportações
Somente em 2025, o Brasil faturou US$ 10,2 bilhões com carne bovina in natura, segundo a Secex. Uma alíquota adicional de 12,5% poderia, em tese, encarecer a proteína brasileira em até US$ 1,2 bilhão para compradores americanos e, por efeito cascata, reduzir competividade em mercados que acompanham preços de Chicago. Analistas lembram que, em 2018, quando a China elevou tarifas sobre a soja dos EUA em 25%, embarques brasileiros cresceram 35% e pressionaram prêmios no porto de Santos.
No curto prazo, frigoríficos como JBS e Minerva podem redirecionar volumes ao Oriente Médio e à própria China, mas especialistas alertam que a sinalização de “risco ESG” tende a elevar exigências de rastreabilidade do gado — ponto que o governo pretende atacar com o Plano de Pecuária Sustentável anunciado em abril.
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Crédito da imagem: Getty Images via BBC