Desconto nas cotas revela assimetria que o mercado ainda ignora
Quantum Finance – Levantamento divulgado recentemente mostra que vários fundos imobiliários (FIIs) negociam com desconto expressivo em relação ao valor patrimonial, abrindo margem para uma valorização que pode chegar a 32% em alguns casos, mesmo com a Selic em nível elevado.
- Em resumo: FIIs residenciais lideram o potencial de alta, enquanto fundos de logística têm upside inferior a 10%.
Residenciais dominam o upside; logística fica para trás
De acordo com o estudo, o upside médio dos FIIs focados em empreendimentos residenciais é de 32,08%, o maior entre todos os segmentos analisados. Na outra ponta, os fundos de logística apresentam potencial de apenas 9,98%, pois suas cotas já se aproximam do preço considerado justo. Essa diferença decorre da métrica Preço/Valor Patrimonial (P/VPA), que indica se a cota é negociada com prêmio ou desconto. Segundo dados da Reuters, a manutenção da Selic em dois dígitos tem elevado o custo de oportunidade e reduzido o apetite por risco, o que ajuda a explicar os descontos persistentes.
“Conforme os juros futuros continuem aumentando suas taxas por conta de problemas macro e micro […] os fundos imobiliários podem continuar sofrendo, em especial os fundos de tijolos”, destaca Leonardo Verissimo, analista da Eleven Financial.
Por que o juro alto trava a recuperação do IFIX?
A trajetória de cortes da taxa básica ficou menos previsível após pressões inflacionárias, em parte ligadas à escalada do petróleo no Oriente Médio. A incerteza encarece o financiamento imobiliário e diminui a atratividade relativa dos dividendos distribuídos pelos FIIs, que hoje giram em torno de 8% a 10% ao ano. Ainda assim, o desconto observado — especialmente em lajes corporativas (30%) e hotéis (31,15%) — cria um colchão de segurança para quem busca exposição imobiliária sem comprar imóveis físicos.
Historicamente, ciclos de afrouxamento monetário tendem a impulsionar o setor: entre 2018 e 2019, quando a Selic caiu de 6,75% para 4,50%, o IFIX avançou mais de 35%. Se o Banco Central retomar cortes consistentes, parte dessa dinâmica pode se repetir, sobretudo nos segmentos mais descontados.
O que você acha? O prêmio de risco atual compensa entrar nos FIIs de tijolo ou é melhor esperar definição da Selic? Para mais análises sobre o mercado de fundos imobiliários, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Quantum Finance