Resgate compulsório à vista pressiona quem ainda segura NEOE3
Neoenergia – No leilão da última quinta-feira (9), a espanhola Iberdrola comprou 172,5 milhões de ações da geradora brasileira por R$ 33,77 cada, movimentando R$ 5,8 bilhões e levando sua participação a cerca de 98% do capital social.
- Em resumo: free float cai para 2% e minoritários têm até 11 de maio para vender pelo mesmo preço da OPA.
Por que a controladora quer reduzir o free float a quase zero
Segundo analistas, a retirada do Novo Mercado dá à Iberdrola liberdade para reorganizar dívidas e acelerar investimentos em energias renováveis sem as amarras de governança exigidas pela B3. A própria empresa já havia sinalizado que a medida “simplifica a estrutura corporativa” e amplia a flexibilidade financeira. Dados da Reuters mostram que a estratégia de fechar capital tem se repetido em subsidiárias do grupo na América Latina.
Com 1,19 bilhão de papéis sob controle, a Iberdrola atingiu o quórum para converter o registro de companhia aberta e retirar a Neoenergia do Novo Mercado.
Efeito dominó: Bolsa, setor elétrico e o investidor minoritário
O movimento acontece em meio a um ciclo de queda da taxa Selic, que já recuou de 13,75% para 10,75% em sete meses, elevando a busca por ativos de risco. Mesmo assim, o investidor que permaneceu em NEOE3 pode ver seu dinheiro travado caso não aceite a oferta e o eventual resgate compulsório seja aprovado em assembleia, prática permitida quando o free float fica abaixo de 5%.
No setor elétrico, a saída de uma grande companhia da Bolsa reduz a representatividade do segmento justo quando a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) prevê investimentos de R$ 66 bilhões em expansão de redes até 2028. Para a Iberdrola, consolidar 100% do capital pode acelerar projetos de transmissão e de geração eólica, mercados em que a empresa já investiu R$ 5,6 bilhões apenas em 2023.
O que você acha? Vale manter NEOE3 ou aceitar os R$ 33,77 antes do resgate? Para mais análises sobre grandes movimentos corporativos, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Neoenergia