Nova aceleração do índice de preços põe em xeque a estratégia anti-inflação do país vizinho
Argentina – A inflação oficial voltou a ganhar velocidade em março, avançando 3,4% e alcançando o maior patamar mensal em um ano, segundo o Indec. O salto renova a preocupação de que o ajuste fiscal do presidente Javier Milei perca tração e pese no bolso da população e nos portfólios de quem aplica em ativos argentinos.
- Em resumo: índice de 3,4% supera fevereiro (2,9%) e eleva a taxa anual para 32,6%.
Educação e transporte lideram a pressão de preços
No detalhamento, educação subiu 12,1%, enquanto transporte avançou 4,1%. Habitação, água, luz e gás ficaram 3,7% mais caros, evidenciando o repasse do corte de subsídios anunciado no início de 2024. Já alimentação avançou 3,4%, fator que afeta diretamente os 28,2% de argentinos que ainda vivem na pobreza. Como mostrou a Reuters, analistas consideram que a tendência dificulta a meta de inflação mensal abaixo de 2% defendida pelo governo.
Março registrou “o maior salto desde abril de 2025, reforçando o risco de inércia inflacionária”, apontou o relatório do Indec.
Câmbio volátil e risco político alimentam incerteza
O peso já se desvalorizou quase 40% frente ao dólar em 2025 e, mesmo após o acordo de swap de US$ 40 bilhões com os EUA, a cotação ronda 1.451,50 por dólar. A instabilidade cambial amplia a indexação de preços e ameaça o programa de cortes de gastos. Para conter o movimento, o Banco Central argentino retomou intervenções no câmbio nas últimas semanas, lembrando o mercado de que o “cepo” ainda não acabou.
Historicamente, a Argentina já conviveu com patamares extremos: em 2022, a inflação bateu 94,8% – a maior desde 1991. Manter o índice abaixo dos três dígitos em 2026 é crucial para destravar a próxima parcela de US$ 20 bilhões negociada com o FMI e evitar novas quedas de rating.
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Crédito da imagem: Divulgação / Agustin Marcarian – Reuters