Do cárcere de Curitiba ao comando das contas públicas brasileiras
Governo Federal – Passados exatos oito anos desde que Luiz Inácio Lula da Silva deixou o Sindicato dos Metalúrgicos rumo à cela da Polícia Federal em Curitiba, o ex‐presidente transformou-se novamente no centro das decisões que balizam juros, câmbio e investimentos no País.
- Em resumo: Da prisão em 7/4/2018 aos atuais debates sobre arcabouço fiscal, Lula atravessa 580 dias de cárcere, anulações no STF e a volta ao Planalto.
Prisão, virada jurídica e retorno estratégico
A negativa de habeas corpus pelo Supremo em 5 de abril de 2018 selou a captura do então ex-presidente. Condenado no caso do triplex do Guarujá, Lula passou 580 dias confinado, número que virou bandeira de seus apoiadores. A virada veio em novembro de 2019, quando o STF revisou a execução da pena em segunda instância, permitindo sua libertação. Em março de 2021, as condenações foram anuladas por incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba, abrindo caminho para a candidatura vitoriosa de 2022. Como lembra a Reuters, o restabelecimento dos direitos políticos alterou expectativas de mercado sobre reformas e responsabilidade fiscal.
“Lula passou 580 dias preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba antes de obter liberdade em 8 de novembro de 2019.”
Impacto nos mercados: déficit, Selic e confiança do investidor
Hoje, já no terceiro mandato, Lula tem nas mãos um Orçamento pressionado por despesas sociais e pela necessária âncora fiscal que substituirá o teto de gastos. A Selic em 10,75% evidencia o esforço do Banco Central para conter a inflação que persiste acima da meta. Analistas lembram que, em 2018, quando Lula foi preso, a taxa básica estava em 6,50%. O salto reflete crises sucessivas – pandemia, guerra na Ucrânia – e a incerteza política que o episódio Lava Jato adicionou ao risco-País.
Para investidores internacionais, a combinação de ciclo de corte de juros nos EUA e necessidade de financiamento interno torna o discurso fiscal do Planalto decisivo. A aprovação do novo arcabouço, prometida para o primeiro semestre, deve ser o teste definitivo de confiança, já que o déficit projetado para 2024 ronda 0,9% do PIB segundo o Ministério da Fazenda.
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Crédito da imagem: Divulgação / BM&C News