Escalada do barril pode acelerar juros e encarecer o custo de vida
Petróleo Brent – O barril saltou quase 7%, superando US$ 126 pela primeira vez desde 2022, após rumores de novos ataques dos EUA contra o Irã. O movimento levou o derivado a acumular alta de 80% desde o patamar anterior ao conflito, reacendendo a preocupação de que energia mais cara contamine toda a cadeia de preços.
- Em resumo: a disparada do Brent já pressiona combustíveis, frete e alimentos, elevando apostas de que bancos centrais endureçam juros.
Por que a marca de US$ 126 acende sinal vermelho
Segundo dados compilados pela Reuters, cada avanço de US$ 10 no barril adiciona cerca de 0,3 ponto percentual à inflação global anual. Para analistas da Kpler, a forte reação ocorre porque o Estreito de Ormuz segue “virtualmente fechado”, restringindo 20% do fluxo marítimo de petróleo do planeta.
“O aumento dos preços do petróleo tem efeito indireto não apenas nos combustíveis, mas também na inflação e em todos os fatores do nosso dia a dia”, aponta Naveen Das, sênior da Kpler.
Efeito cascata: transporte, alimentos e juros em risco
Plásticos, fertilizantes e querosene de aviação usam óleo como insumo básico; quando o Brent sobe, companhias aéreas reajustam tarifas e produtores rurais veem o custo da ureia disparar. Países como o Brasil, que projetam IPCA de 4,86% em 2026, podem ter de conviver com inflação acima da meta por mais tempo, forçando o Banco Central a repensar o ciclo de cortes na Selic.
O aperto monetário, por sua vez, encarece crédito, reduz investimento e eleva o risco de desaceleração sincronizada — cenário que o FMI já alertou como provável caso a tensão no Oriente Médio se prolongue. Para lembrar, a última vez que o barril flertou com esse nível, em 2008, o petróleo bateu recorde de US$ 147 e precedeu recessão nos EUA e na Europa.
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Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images via BBC