Cancelamentos e passagens mais caras ameaçam férias e negócios
KLM — Na última quinta-feira (16), a companhia holandesa informou que suspenderá 80 voos de ida e volta em Amsterdã no próximo mês, sinal de que o surto de cancelamentos provocado pela escalada do combustível de aviação está longe do fim.
- Em resumo: 19 das 20 maiores aéreas já reduziram capacidade para maio, segundo a Cirium.
Pressão bilionária nos balanços das companhias
O querosene de aviação subiu mais de 30% desde o início do ano, forçando gigantes como United, Lufthansa e Cathay Pacific a enxugar rotas. A Reuters aponta que a Delta Air Lines prevê gasto adicional de US$ 2,5 bilhões só neste trimestre.
“A rota que operava no limite será reavaliada”, avisou Ed Bastian, CEO da Delta, ao projetar custos extras de combustível.
Mesmo quem ainda conta com hedge, caso de parte das europeias, teme desabastecimento. A Agência Internacional de Energia calcula que a Europa possua “talvez seis semanas” de estoque. Qualquer estresse geopolítico no Estreito de Ormuz pode agravar o quadro, apesar da recente queda de 11% no Brent após sinalização de trégua iraniana.
Impacto no bolso, na inflação e no turismo global
A aviação pesa cerca de 1% no IPCA brasileiro via passagens aéreas, mas choques prolongados tendem a contaminar pacotes turísticos e logística. Historicamente, aumentos superiores a 25% no querosene levam até três meses para serem totalmente repassados ao consumidor, pressionando margens das companhias e a inflação de serviços.
Para países dependentes do turismo, como Espanha, Portugal e Tailândia, o corte de voos reduz a oferta na alta temporada e pode derrubar receitas cambiais. Já investidores monitoram possíveis revisões de guidance: a Cirium passou de crescimento de 4%-6% para risco de retração de até 3% na capacidade anual do setor—movimento que costuma mexer nas cotações das aéreas listadas na NYSE e na B3.
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Crédito da imagem: Divulgação / KLM