Diversificação suaviza perdas, mas varejo já sente o sinal amarelo
Chimera Capital – Na análise mais recente, a gestora mapeou 59 recuperações judiciais anunciadas entre março e maio, nas quais 87 Fundos de Direitos Creditórios (FIDCs) figuram como credores de R$ 750 milhões, parte de uma reestruturação que soma R$ 8,1 bilhões. O dado liga o alerta para os 63 mil cotistas de varejo que ganharam acesso a esses veículos após a Resolução 175 da CVM.
- Em resumo: 9,3% do patrimônio desses FIDCs está travado em empresas em recuperação judicial.
Especialistas veem teste de fogo para FIDCs
Segundo levantamento de Rafael Nogueira, o peso médio das operações representa apenas 2,88% das dívidas das companhias em RJ, mas fundos special sits chegam a concentrar até 30% de uma única empresa. O cenário é agravado pelo ciclo longo de juros altos, que ainda beira dois dígitos e encarece o serviço da dívida corporativa, como lembra análise da InfoMoney.
“Quando há ‘dezena de FIDCs’ na estrutura, a cessão de recebíveis é a última linha antes da insolvência”, ressalta Max Mustrangi, da consultoria Excellance.
Como a nova onda de RJs mexe com seu bolso e com o crédito corporativo
Na reestruturação da Brinquedos Estrela, 25 FIDCs detêm mais de 50% da dívida (R$ 112 milhões). Caso semelhante ocorre na Provider, onde os fundos respondem por 58% do passivo. Esses números evidenciam o risco sistêmico: se novas RJs se materializarem em meio a uma eventual desaceleração do PIB e manutenção da Selic elevada, a cadeia de crédito pode travar, elevando o custo de capital para todo o setor produtivo.
O que você acha? Os FIDCs continuarão a ser solução de crédito ou viram novo foco de risco para investidores de varejo? Para mais análises sobre investimentos alternativos, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / E-Investidor