Preferência por tijolo mostra como juros altos moldam estratégia do brasileiro
Anbima – Em levantamento conduzido com o Datafolha e divulgado recentemente, a entidade aponta que o sonho da casa própria continua imbatível: mais de um terço dos investidores da classe C planeja converter aplicações financeiras em um imóvel, movimento que pode redefinir a demanda por crédito habitacional em 2024.
- Em resumo: 34% da classe C e 22% do total de entrevistados priorizam comprar imóvel com o dinheiro aplicado.
Segurança lidera motivação, mas retorno ainda pesa
Mesmo com a Selic em 10,75% ao ano, o investidor médio mantém o foco na preservação de capital: 44% citam segurança como principal atrativo das aplicações, enquanto um terço ainda mira retorno. A preferência por imóveis também dialoga com a cultura local de “tijolo” como patrimônio, reforçada por dados do mercado habitacional compilados pela Reuters, que apontam aumento na busca por crédito imobiliário.
Entre os entrevistados de maior renda (classes A e B), 27% pretendem simplesmente manter o dinheiro aplicado, evidenciando apetite menor por imobilizar recursos em patrimônio físico.
Digitalização acelera e redesenha canais de informação
A mesma pesquisa revela que 63% já investem via plataformas digitais, salto de 15 pontos percentuais desde 2021. Para os boomers, o gerente de banco continua soberano (38%); já na Geração Z, amigos e parentes lideram (23%), seguidos por apps bancários (14%). Esse descolamento geracional força bancos e corretoras a aprimorar experiência mobile, enquanto influenciadores digitais, embora barulhentos, respondem por apenas 6% das decisões.
Em paralelo, a expectativa de novos cortes na Selic ao longo do semestre — cenário defendido por parte do Comitê de Política Monetária do Banco Central — tende a baratear financiamentos, tornando a compra de imóveis ainda mais atrativa e elevando a competição entre renda fixa e crédito habitacional no portfólio do investidor.
O que você acha? O recuo dos juros vai fortalecer ainda mais a corrida pelo imóvel próprio ou devolver protagonismo à renda fixa? Para acompanhar análises atualizadas, visite nossa editoria de Finanças Pessoais.
Crédito da imagem: Foto: Freepik / Divulgação