Conexões humanas perdem força na era dos aplicativos
Universidade de Missouri–Kansas City – Um rastreamento de conversas de 2.000 voluntários mostra que, entre 2005 e 2019, a quantidade de palavras trocadas face a face caiu 28%, corroendo vínculos sociais em plena ascensão das redes.
- Em resumo: cada pessoa deixou de pronunciar cerca de 120 mil palavras por ano, numa tendência que afeta mais os jovens.
Jovens lideram a queda; 451 palavras a menos por dia
Nos participantes com menos de 25 anos, a redução anual chegou a 451 palavras diárias, quase 40% acima da média geral. Entre adultos mais velhos, a perda foi de 314 palavras. A janela temporal do estudo coincide com a popularização dos smartphones e do boom das mídias sociais, cenário que, segundo analistas da Reuters, amplificou indicadores de solidão em diversos países.
“A cada novo ano, somam-se quase 10 horas de silêncio involuntário se considerarmos o ritmo médio de fala”, calculam os autores.
Impacto macro: da saúde mental ao desempenho econômico
Pesquisas do Banco Mundial já relacionam isolamento social a perdas de produtividade, criando um efeito dominó sobre gastos públicos em saúde mental. No Brasil, o custo anual com depressão e ansiedade supera R$ 190 bilhões, segundo o Ipea. Menos diálogo presencial significa também menos troca de ideias no ambiente de trabalho, crucial para a inovação – combustível de 30% do crescimento do PIB nas últimas décadas, de acordo com a OCDE.
O que você acha? A comunicação digital consegue compensar a perda do contato face a face? Para mais análises sobre comportamento e negócios, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Drazen Zigic/Getty Images