Medida busca segurar preço nas bombas, mas cria incerteza para importadores e Tesouro
Ministério da Fazenda – O governo anunciou, nesta semana, a elevação do subsídio ao diesel importado para R$ 1,20 por litro, valor que se soma à compensação já vigente de R$ 0,32. A iniciativa tenta blindar motoristas e transportadoras do choque do petróleo, mas deixou o mercado em compasso de espera.
- Em resumo: Importadores consideram pouco claro como e quando serão ressarcidos, o que pode reduzir a oferta de combustível.
Importadores travam compras à espera de regras
Análise divulgada pelo Itaú BBA aponta que o novo incentivo ainda não fecha a lacuna entre o preço local e a paridade internacional, o que mantém margens negativas. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) confirma que navios seguem retidos nos portos enquanto as empresas aguardam detalhes de ressarcimento. Segundo estimativas da Reuters, o Brasil depende de até 30% de diesel externo em meses de pico.
“O mercado está paralisado”, resume Sérgio Araújo, presidente da Abicom. “Sem clareza sobre quem arca com o custo, ninguém quer vender com desconto e ficar no prejuízo.”
Pressão sobre as contas públicas reacende debate fiscal
O Ministério da Fazenda garante neutralidade orçamentária, mas economistas lembram que o subsídio chega quando o governo persegue um déficit zero. Se todo o volume importado recebesse a nova compensação, a despesa poderia superar R$ 17 bilhões ao ano, calcula a Ativa Investimentos. Para cobrir o rombo, a equipe econômica cogita elevar tributos sobre cigarros e bebidas.
A tensão aumenta porque o barril do Brent flutua próximo de US$ 90, reflexo de cortes da Opep+ e do conflito no Oriente Médio. Qualquer escalada adicional tende a exigir mais recursos ou reajustes nas bombas, minando a credibilidade do arcabouço fiscal aprovado em 2023.
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Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS