Proposta de Trump mira manufaturas e pode redirecionar comércio
Estados Unidos – Recentemente, o Escritório do Representante de Comércio (USTR) ventilou impor tarifa de até 25% sobre uma lista de produtos brasileiros, colocando sob risco imediato US$ 10,1 bilhões — 27% de tudo que o Brasil enviou ao mercado norte-americano em 2025 — e pressionando a indústria de transformação nacional.
- Em resumo: móveis, açúcar, pneus e equipamentos elétricos podem ficar até 25% mais caros nos EUA.
Por que US$ 10,1 bi estão na linha de fogo
A nova lista de investigação da seção 301 foca itens industrializados, em linha com a promessa eleitoral de Donald Trump de “reindustrializar” o país. Ao evitar bens de consumo sensíveis à inflação local, Washington tenta blindar o eleitor norte-americano enquanto transfere a conta ao exportador estrangeiro, aponta Sergio Vale, da MB Associados. Segundo levantamento da Reuters, o Brasil é hoje o nono maior fornecedor dos EUA, e manufaturas respondem por quase metade desse fluxo.
“É uma lista basicamente de produtos industrializados. Não vai aumentar a produção interna, só reduzir a fatia dos EUA no comércio brasileiro e nos aproximar da China”, avalia Vale.
Se aço e autopeças entrarem, impacto pode passar de 40%
Além dos itens já elencados, cerca de US$ 6 bilhões em aço, alumínio, veículos e autopeças continuam sob investigação da seção 232. Caso recebam sobretaxa, a parcela das exportações sujeita ao tarifaço ultrapassará 40%, ampliando o rombo potencial na balança setorial brasileira. Historicamente, cada 1 ponto percentual a menos de participação dos EUA nas vendas externas do País acrescenta, em média, R$ 6,5 bilhões ao déficit industrial, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Em 2023, os EUA representaram 21% das exportações totais brasileiras, atrás apenas da China (31%). Um deslocamento forçado de fluxo tende a favorecer o mercado asiático, pressionando fretes e exigindo adequações logísticas, enquanto o real pode sentir volatilidade extra conforme o investidor precifica menor entrada de dólares comerciais.
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