Autarquia admite falhas de detecção e pressiona auditorias independentes
Banco Master – Durante congresso que celebrou os 50 anos da CVM, a gerente Cynthia Braga revelou que a instituição criou fundos com patrimônio inflado e fazia operações internas, prática que passou “ilesa” por relatórios de auditoria e expõe fragilidades no sistema de prevenção a fraudes.
- Em resumo: CVM identificou “sinal amarelo” antes da liquidação, mas fundos já operavam com valores superavaliados.
Auditoria “bonitinha” mascarou riscos milionários
Segundo Braga, os documentos enviados pelos auditores estavam em perfeita conformidade técnica, mesmo com indícios de irregularidade. A constatação ecoa debates recentes sobre governança após casos similares nos Estados Unidos, conforme reportado pela Reuters, e reforça a necessidade de revisão de fluxos de reporte.
“Era o Master com o Master, praticamente. A grande maioria dos relatórios de auditoria estavam lá bonitinhos, como se não tivesse nenhum problema”, disse Cynthia Braga.
Confiança de investidores em xeque e diálogo com o BC
O episódio ocorre num momento de volatilidade global, com juros ainda elevados e fuga de capital de mercados emergentes. Fraudes desse porte pressionam prêmio de risco local, elevam o custo de captação de empresas menores e podem reabrir discussões sobre regras de divulgação de marked-to-market — ajuste de valor justo dos ativos — adotadas desde 2019.
A CVM promete intensificar o intercâmbio de dados com o Banco Central, mecanismo similar ao que ajudou a conter o impacto da crise das LFs em 2023. Especialistas lembram que escândalos como o do Banco Master conseguem se proliferar quando há concentração de papéis em veículos fechados, o que dificulta a observação de preço justo pelo mercado.
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Crédito da imagem: Divulgação / Banco Master