Escalada geopolítica renova temor de inflação e aperto monetário
Bolsas da Ásia — A recente troca de ataques militares entre Estados Unidos e Irã abalou o sentimento dos investidores nesta quinta-feira (28), provocando queda generalizada nos principais índices asiáticos e nova disparada do petróleo Brent, que operou com alta de 2,5% antes da abertura europeia.
- Em resumo: Nikkei recua 0,47%, Kospi perde 0,53% e o barril de Brent volta a encostar nos níveis de início da semana.
Por que o conflito mexe tanto com seu bolso?
A região do Golfo responde por quase um terço do tráfego marítimo de petróleo do planeta. Qualquer risco no Estreito de Ormuz acelera prêmios de seguro, pressiona fretes e empurra para cima a curva de preços do barril — efeito que chega às bombas e à conta de luz. De acordo com levantamento da Reuters, cada avanço de US$ 10 no Brent acrescenta até 0,3 ponto percentual às projeções de inflação global.
O Brent subia cerca de 2,5% nas primeiras horas do pregão, depois de tombar mais de 4,5% na véspera, destacam analistas de mercado de energia.
Decisões de bancos centrais entram no radar
Com o petróleo de volta ao posto de vilão inflacionário, autoridades monetárias asiáticas já sinalizam cautela. O Banco da Coreia manteve os juros em 2,5%, mas admitiu possibilidade de alta caso a pressão sobre combustíveis continue. Esse receio também ajudou a interromper a sequência de quatro ganhos do Kospi. Historicamente, cada ciclo de valorização do Brent reduz a margem para cortes de juros, atrasando a recuperação econômica pós-pandemia.
No Japão, ações de fabricantes de chips e mineradoras lideraram perdas no Nikkei, refletindo o temor de margens menores com custos energéticos mais altos. Já na China continental, Xangai e Shenzhen terminaram no campo positivo, sustentados por expectativas de estímulos fiscais domésticos.
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Crédito da imagem: Divulgação / Money Times