Diesel caro e repasse nos preços podem manter juros altos, dizem analistas
XP Investimentos – Em relatório divulgado recentemente, a casa revisou a projeção do IPCA de 2026 de 3,8% para 4,8%, atribuindo a mudança à escalada do petróleo e ao consequente encarecimento do diesel, fator que já encosta no bolso do consumidor e nas margens do varejo.
- Em resumo: choque de frete provocado pelo diesel pode prolongar juro alto e reduzir poder de compra.
Revisão do IPCA expõe risco prolongado dos combustíveis
Segundo a XP, a tensão no Oriente Médio mantém o barril acima dos níveis pré-conflito, contaminando toda a cadeia logística. Dados da Reuters mostram que a curva futura do Brent segue pressionada, o que reforça a perspectiva de custos elevados no transporte.
A XP estima IPCA de 4,8% para 2026, um ponto percentual acima da projeção anterior, mesmo com câmbio um pouco mais favorável.
Frete caro ameaça margens do varejo e poder de compra
O relatório “Carrinho XP” alerta que a alta do diesel encarece o frete rodoviário, responsável por cerca de 65% da distribuição de bens no País. Ao mesmo tempo, a inflação de combustíveis alimenta o índice cheio, dificultando que o Banco Central traga o IPCA para a meta de 3,0% em 2026, o que pode manter a Selic em patamar elevado por mais tempo.
Para o setor de varejo, o duplo impacto aparece na linha de custos e na renda disponível do consumidor. No quarto trimestre de 2025, apenas 28% das empresas superaram projeções de receita, a pior marca em cinco trimestres, reforçando a leitura de aperto nas margens.
O que você acha? O juro alto veio para ficar ou há espaço para alívio? Para acompanhar análises diárias do mercado, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS