Guerra no Irã eleva incerteza e deixa juros brasileiros em xeque
XP Investimentos – Em relatório divulgado recentemente, a corretora avalia que tentar adivinhar o “fundo do poço” da crise geopolítica pode custar caro ao investidor. Em vez disso, recomenda manter diversificação e foco em quatro classes de ativos que já oferecem retorno relevante.
- Em resumo: pós-fixados seguem base da carteira, enquanto prefixados e FIIs ganham espaço estratégico.
Pós-fixados: a âncora que paga Selic em dois dígitos
Com a taxa Selic ainda acima de 10% ao ano, aplicações como Tesouro Selic e CDBs de grandes bancos continuam sendo o “colchão” de liquidez apontado pela XP. Segundo dados da Reuters, a curva de juros brasileira precifica cortes mais lentos diante do choque no petróleo, reforçando o apelo desse tipo de título.
“Os investimentos atrelados à taxa Selic seguem como principal pilar das carteiras”, destaca o relatório da casa.
Prefixados e IPCA+: capturar queda futura dos juros e blindar inflação
A XP recomenda ampliar um pouco a fatia de prefixados com vencimento em torno de quatro anos. A lógica é simples: os prêmios atuais já embutem risco fiscal doméstico e a tensão no Golfo Pérsico. Se a Selic recuar mais à frente, quem travar as taxas agora colhe ganho de capital.
Para proteger poder de compra, títulos indexados ao IPCA continuam no radar, sobretudo com vencimentos de até seis anos. O petróleo, que superou US$ 90 o barril, pressiona combustíveis e pode contaminar a inflação brasileira, hoje em 4,2% no acumulado de 12 meses, segundo o IBGE.
FIIs de papel: renda mensal menos exposta ao cenário externo
Na classe de fundos imobiliários, o destaque fica para os “fundos de papel”, que investem em CRIs e se beneficiam da própria Selic elevada. A XP sugere alocação acima do usual, argumentando que o segmento é menos sensível aos desdobramentos da guerra e ainda distribui dividendos médios de 12% ao ano isentos de IR.
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Crédito da imagem: Divulgação / Reuters