Renegociação reduz a pressão do momento, porém não ataca a causa da inadimplência
Governo Federal – Instituído por Medida Provisória em 06/06/2023, o Desenrola Brasil ampliou o acesso a descontos e parcelamentos, mas, às vésperas do lançamento do Desenrola 2, especialistas alertam: a engrenagem do crédito no país continua deixando famílias vulneráveis, pressão que já interfere na concessão de novos empréstimos e no consumo.
- Em resumo: Desenrola 2 deve renegociar novos débitos, mas a relação renda-dívida das famílias permanece no pico histórico.
Por que o Desenrola 2 não basta
O programa chegará em meio a um cenário em que quatro em cada dez brasileiros têm contas em atraso, de acordo com dados compilados pela Valor Econômico. A ampliação do teto de renda dos beneficiados e o alongamento dos prazos podem aliviar o fluxo de caixa imediato, todavia não modificam a originação cara do crédito nem a volatilidade da renda informal que sustenta boa parte desses lares.
A taxa de comprometimento da renda das famílias voltou à máxima de 48,8% em fevereiro, segundo o Banco Central do Brasil.
Consequências macroeconômicas e risco para o bolso do consumidor
Com o juro básico ainda em patamar de dois dígitos, o estoque de dívidas tende a consumir uma fatia cada vez maior da renda disponível, limitando a capacidade de poupança e aquisições de maior valor. Esse ciclo afeta diretamente o ritmo de recuperação do varejo e pode travar a transmissão da política monetária: mesmo com cortes graduais na Selic, a inadimplência elevada mantém spreads bancários acima da média latino-americana.
Analistas lembram que programas de renegociação semelhantes, lançados após crises anteriores, reduziram a inadimplência em até 25% nos primeiros 12 meses, mas voltaram a escalar quando o mercado de trabalho esfriou. Sem crescimento consistente da renda real e educação financeira em larga escala, o risco é repetirmos o padrão.
O que você acha? O Desenrola 2 será suficiente para mudar a dinâmica da dívida ou apenas postergará o problema? Para mais análises, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central do Brasil