Relatório escancara lacuna entre pesquisa acadêmica e aplicação comercial
Insper – O “Panorama Nacional de Depósitos de Patentes no Brasil (2000-2023)”, divulgado em março de 2026, revela que o país segue patenteando muito, mas inovando pouco, cenário que ameaça competitividade e empregos qualificados.
- Em resumo: 80,4% dos registros em 2023 foram feitos por empresas estrangeiras, com EUA e China na liderança.
Estrangeiros dominam os registros e China acelera
Apesar de o mercado chinês ter historicamente pouca presença, o estudo mostra que o país asiático já responde por 6,5% dos pedidos no Brasil, após políticas de incentivo que chegam a cortar 40% em tributos para empresas inovadoras.
“Patentes acadêmicas chegam a 40% do total no Brasil, contra 5% nos EUA”, destaca Thiago Soares, autor do relatório.
Por que as patentes não viram inovação no Brasil
No ranking de 2024, 37 das 50 maiores depositantes são universidades. O protagonismo acadêmico foi turbinado pela Lei da Inovação de 2004, mas a transferência de tecnologia segue tímida. Segundo dados do Banco Mundial, o investimento brasileiro em P&D gira em torno de 1,3% do PIB, abaixo da média de 2,7% de economias da OCDE, o que limita escala industrial para novos produtos.
Além disso, requisitos de desempenho de agências como CAPES e CNPq incentivaram depósitos “de prateleira”, sem plano de comercialização. A revisão desses critérios para exigir transferência efetiva pode, finalmente, alinhar o sistema acadêmico às demandas do setor privado.
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Crédito da imagem: Divulgação / Insper