Custo de encolher a semana: quanto a economia pode perder (ou ganhar)
FGV Ibre – A posição 86ª do Brasil no ranking global de produtividade tornou-se munição no embate sobre encurtar a jornada de 44 para 40 ou 36 horas. O alerta dos pesquisadores é direto: sem ganho de eficiência, o PIB pode encolher e o salário-hora disparar, afetando preços e empregos.
- Em resumo: cada hora cortada sem contrapartida produtiva pressiona custos em até 22% nas contas das empresas.
Produtividade baixa, custo alto: a equação que preocupa indústria e serviços
No levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o país aparece atrás de Chile, Argentina e até Cuba. A diferença, explica Fernando de Holanda, da FGV, vem de mão de obra pouco qualificada, infraestrutura precária e burocracia pesada. Segundo ele, reduzir a jornada em 6,2% derrubaria o PIB na mesma proporção se processos não forem revistos. Dados da Reuters detalham a dificuldade de elevar investimentos em meio a juros elevados, outro freio à modernização.
“Entre 1981 e 2024, nossa produtividade por hora cresceu só 0,6% ao ano; sem salto consistente, o salário-hora maior tende a empurrar parte da força de trabalho para a informalidade.” – Estudo FGV Ibre
Onde estão os gatilhos para virar o jogo
Especialistas lembram que outras nações elevaram eficiência ao apostar em abertura comercial, qualificação profissional e simplificação tributária. A reforma tributária em andamento, se acompanhada de investimentos em logística, pode cortar tempo de deslocamento e desperdício, dois vilões ocultos da produtividade brasileira.
Além disso, a digitalização de processos fiscais pelo Banco Central e o avanço de meios de pagamento instantâneo, como o Pix, já reduzem custos operacionais no varejo. Caso o Congresso aprove a semana de 40 horas, empresas que acelerarem automação e reorganizarem turnos tendem a diluir parte do impacto salarial, apontam analistas.
O que você acha? Encurtar a jornada sem turbinar a produtividade é risco calculado ou aposta necessária para qualidade de vida? Para mais análises sobre mercado de trabalho e economia, visite nossa editoria de Mercado Financeiro.
Crédito da imagem: Tomaz Silva / Agência Brasil