Automação ajuda, mas cruzamento de dados nunca foi tão rigoroso
Receita Federal – Faltando 15 dias para as 23h59 de 29 de maio, apenas 24 milhões das 44 milhões de declarações esperadas do Imposto de Renda 2026 já foram entregues. Quem vacilar agora corre risco de cair na malha fina e ver a restituição escorregar para os lotes residuais.
- Em resumo: erros na pré-preenchida, omissão de apostas e despesas médicas infladas estão entre os maiores vilões.
Por que a pré-preenchida não livra você da malha
O modelo automático ganhou força, respondendo por quase 60% dos envios, mas não substitui a conferência manual. A expansão do Receita Saúde e a integração com eSocial, cartórios e bancos elevou o volume de informações cruzadas em tempo real. Como destaca o tributarista Christian de Luca, divergências na fonte pagadora ou em informes podem parar sua declaração. Segundo levantamento da Reuters, o Fisco tem aumentado em dois dígitos o número de autuações ligadas a inconsistências digitais desde 2024.
“A declaração pré-preenchida é ferramenta de apoio, não garantia de acerto; a responsabilidade continua do contribuinte”, alerta Christian de Luca, sócio do Domenico de Luca Law.
Impacto no bolso: restituição presa e Selic em alta
Cair na malha fina não significa perder dinheiro, mas atrasá-lo. Enquanto o crédito fica retido, a correção segue a Selic – atualmente em 10,50% ao ano –, ritmo que não compensa emergências financeiras. Para quem contava com o depósito antecipado para quitar dívidas ou investir, o atraso pode custar mais do que o ganho de correção.
Além disso, uma eventual fiscalização formal bloqueia a retificação online, exigindo processo administrativo mais demorado. Na prática, a digitalização trouxe agilidade para quem acerta, mas tornou o erro bem mais caro.
Checklist final para fugir da malha
• Confronte cada linha da pré-preenchida com informes oficiais.
• Inclua 100% dos rendimentos de dependentes.
• Declare ganhos e saldos em plataformas de apostas.
• Mantenha recibos médicos coerentes com o Receita Saúde.
• Atualize valores de imóveis e investimentos segundo documentos de cartório ou B3.
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Crédito da imagem: Joédson Alves / Agência Brasil