Minuta reforça cautela com inflação persistente e pressiona ativos de risco
Federal Reserve (Fed) — Ao divulgar a ata de sua reunião de abril, o banco central norte-americano confirmou a manutenção da taxa básica em 5,25%-5,50% e sublinhou que “ainda não há confiança suficiente” para iniciar cortes, esfriando as expectativas do mercado.
- Em resumo: Documento afasta qualquer promessa de alívio monetário no curto prazo, elevando o prêmio de risco global.
Por que a linguagem da ata assustou Wall Street?
A postura mais dura ganhou força depois de sucessivas leituras de inflação acima da meta de 2%. Segundo dados compilados pela Reuters, parte dos dirigentes citou “falta de progresso” na inflação de serviços, sugerindo que novas altas de juros, embora pouco prováveis, não estão totalmente descartadas.
“Vários participantes expressaram vontade de apertar ainda mais a política se os riscos de inflação se materializarem”, destaca o documento.
Efeito cascata: dólar mais forte e adiamento dos cortes para 2025
Com a sinalização de paciência do Fed, investidores migraram para ativos considerados seguros. O índice DXY do dólar avançou, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 10 anos tocaram 4,4%, nível mais alto em quase dois meses. A ferramenta CME FedWatch, que monitorava 70% de probabilidade de corte em setembro, reduziu essa chance para perto de 50% após a divulgação.
Os reflexos se espalham: moedas emergentes recuam e bolsas globais revertem ganhos. No Brasil, economistas já projetam pressão adicional sobre o câmbio e cautela no ciclo de queda da Selic, dado que um Fed “mais alto por mais tempo” tende a reduzir o apetite por risco em mercados periféricos.
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Crédito da imagem: Divulgação / Federal Reserve