Registros equivocados se espalham por 14 estados e podem travar benefícios sociais
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) – Dados oficiais indicam que 19 vínculos ativos de “presidente” ou “vice-presidente da República” constavam na RAIS ao fim de 2024, fruto de erros de cadastro que já afetam trabalhadores de salário mínimo em hotéis, lavanderias e prefeituras.
- Em resumo: falha na digitalização replicou cargos inexistentes, ameaçando seguro-desemprego e Bolsa Família.
Como a falha se espalhou pelas bases oficiais
A troca da GFIP pelo eSocial deveria reduzir equívocos, mas a falta de treinamento em RH municipal fez o problema migrar para sistemas integrados. Segundo apuração do Valor Econômico, mais de 5,5 mil municípios ainda dependem de equipes temporárias para lançar dados trabalhistas, cenário ideal para códigos de ocupação trocados.
Em dezembro de 2024, 13 vínculos de “presidente” e 6 de “vice” seguiam ativos, embora a remuneração média não passasse de R$ 1,7 mil.
Impacto direto no bolso do trabalhador
Especialistas alertam que um vínculo fictício aberto sinaliza ao sistema que o cidadão está empregado. Resultado: bloqueio automático do seguro-desemprego, negativa de benefícios previdenciários e risco de exclusão do Bolsa Família. Há ainda o constrangimento profissional: dois contratos simultâneos na carteira digital levantam dúvidas em processos seletivos.
Além do dano individual, empresas que mantêm registros fantasmas podem ser multadas por descumprir cotas de aprendizes e PCDs, já que o número de funcionários aparece inflado. O MTE afirma notificar empregadores quando detecta inconsistências, mas a correção só ocorre se o próprio trabalhador pressionar ou acionar a Justiça.
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Crédito da imagem: Divulgação / Ministério do Trabalho