Como a idade da ave e a dieta de soja turbinam o lucro na granja
Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) – De acordo com técnicos do setor, a escalada na procura por ovos jumbo pode aumentar a receita dos produtores em plena fase de pressão inflacionária sobre alimentos.
- Em resumo: só galinhas acima de 50 semanas, com ração proteica e luz extra, botam ovos que ultrapassam 68 g e são vendidos por valor superior.
Por que o peso mínimo de 68 g faz tanta diferença
No mercado, a classificação oficial vai do médio (38 g) ao jumbo (acima de 68 g). Como o consumidor paga mais pelo “ovo grandão”, cada lote de jumbo amplia a margem. Segundo levantamento citado pela Reuters, o preço do ovo no atacado subiu mais de 20% nos últimos 12 meses, e a demanda por unidades maiores puxou parte desse avanço.
“O esqueleto da franga ainda em crescimento não comporta um ovo gigante. Passadas 50 semanas, com a pélvis mais larga, ela suporta facilmente um jumbo”, explica o veterinário Tarcísio Agostinho.
Luz artificial, soja e ciclo de 90 semanas: a equação de rendimento
Além da idade, a nutrição baseada em soja de alto teor proteico é mandatória para alcançar o calibre jumbo. Muitas granjas estendem a iluminação artificial para até 16 horas diárias, estimulando a postura. O investimento em energia e ração premium costuma ser compensado pela valorização do produto final.
Esse movimento chega em momento estratégico: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostra pressão de 1,8 ponto na cesta de proteínas neste ano. Com a carne suína e bovina encarecendo, o ovo — sobretudo o jumbo — consolida-se como alternativa mais acessível, reforçando receitas de pequenos e médios avicultores.
O que você acha? Vale pagar mais por um ovo maior ou o médio já resolve? Para mais análises sobre agronegócio e preços de alimentos, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Globo Rural