Fuga de capital ameaça novo teste aos 110 mil pontos do índice
B3 – Após completar a oitava semana consecutiva de queda, o Ibovespa acumula recuo de 14,34%, algo não visto desde a implantação do Plano Real, em 1994. A pressão vem sobretudo da retirada de R$ 14,91 bilhões de investidores estrangeiros em maio, movimento que volta a jogar dúvidas sobre a atratividade da bolsa brasileira.
- Em resumo: estrangeiros deixaram o mercado e já se precifica Selic em 14,50% no próximo Copom.
Estrangeiro troca Brasil por “trade de IA” na Ásia
A aversão ao risco local ganhou força conforme fundos globais migraram para ações de semicondutores na Coreia do Sul e em Taiwan, ligadas à inteligência artificial. O descolamento entre o ETF EWZ (Brasil) e o EEM (emergentes) ficou evidente, segundo análise da XP, e foi destaque também na Reuters.
“Enquanto o Brasil caiu em maio, o KOSPI avançou 26% e Taiwan 16%, puxados pela escassez de memória e demanda por chips”, ressalta relatório da XP.
Juros elevados, ruído eleitoral e tarifação dos EUA pesam
A reprecificação da Selic para 14,50% reflete a alta das expectativas de inflação e o payroll forte nos Estados Unidos, que pode levar o Federal Reserve a apertar a política monetária no segundo semestre. Internamente, o chamado “trade eleitoral” ganhou tração após áudios que ligam Flávio Bolsonaro ao Banco Master, elevando a incerteza sobre o pleito de outubro. A tensão aumenta com a ameaça de um novo tarifaço de 25% contra produtos brasileiros anunciada pela Casa Branca.
Mesmo após perder quase 800 bi de valor desde a máxima de abril, o índice ainda sustenta alta de 4,90% em 2024. Historicamente, correções acima de 10% abriram espaço para entrada de capital de longo prazo, mas a continuidade desse cenário dependerá da ancoragem das expectativas de inflação e do fluxo externo.
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Crédito da imagem: Divulgação / B3