Tensão geopolítica eleva o Brent, mas estatal segura reajuste nas refinarias
Petrobras — Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) divulgado na noite de quinta-feira, a estatal reafirmou a política comercial anunciada em maio de 2023, mantendo os preços de gasolina e diesel inalterados apesar do petróleo Brent superar a marca de US$ 90 o barril. A nota, que também foi repercutida em transmissão da Band, responde a questionamento sobre possível defasagem em relação ao mercado externo.
- Em resumo: Petrobras diz que segue ajustando preços “sem periodicidade definida”, protegendo consumidor da volatilidade cambial e das cotações internacionais.
- Relatório interno contesta cálculos de analistas que apontam perda de até 10% por litro vendido.
CVM aperta o cerco após reportagens sobre defasagem
O ofício da autarquia citou matéria do Brazil Journal apontando que a defasagem entre o valor cobrado nas refinarias e o preço de importação já ultrapassaria 15%. Em resposta, a Petrobras reiterou que “não reconhece” esses números e que eventual ajuste só ocorrerá após análise técnica de custos de refino e logística. De acordo com a Reuters, a tensão no Oriente Médio elevou o Brent a patamares não vistos desde novembro, pressionando margens de importadores independentes.
“Os reajustes continuam sendo feitos sem periodicidade definida, evitando o repasse da volatilidade conjuntural do mercado internacional e da taxa de câmbio”, registrou a companhia no fato relevante.
Impacto no caixa da estatal e no bolso do motorista
Ao não repassar imediatamente a escalada do Brent, a Petrobras preserva o preço nas bombas e a popularidade do governo, mas comprime a geração de caixa no curto prazo. Em 2022, quando adotava a Paridade de Importação, a companhia reportou margem Ebitda de 45%. Analistas calculam que, sob o modelo atual, cada alta de US$ 1 no barril sem repasse pode reduzir o Ebitda anual em R$ 1,3 bilhão.
No cenário macro, o Banco Central monitora o comportamento dos combustíveis porque um aumento de 5% na gasolina costuma adicionar até 0,25 ponto percentual ao IPCA. Caso a estatal decida reajustar preços depois, o efeito-rebote pode coincidir com a próxima reunião do Copom, complicando a trajetória de queda da Selic.
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Crédito da imagem: Divulgação / Reuters