Mudança na composição promete mexer no bolso de fabricantes e consumidores
Câmara dos Deputados — O Congresso aprovou, em março, um Projeto de Lei que redefine os percentuais mínimos de cacau no chocolate vendido no país, elevando o padrão do amargo para 35% de sólidos do fruto. A regra entra em vigor na Páscoa de 2025 e força a indústria a recalcular custos num cenário de cacau já pressionado no mercado internacional.
- Em resumo: chocolate amargo ou meio amargo passará a ter, por lei, ao menos 35% de cacau.
O que muda na prateleira a partir de 2025
Pela legislação atual o teor mínimo geral é de 25%. A nova faixa de 35% aproxima o Brasil de mercados como União Europeia e Estados Unidos, onde o consumidor paga mais por barras com alta concentração de cacau. Segundo dados da Reuters sobre cotações globais, o preço da amêndoa já subiu mais de 40% nos últimos 12 meses, fator que amplia a pressão de custos para grandes fabricantes.
A demanda industrial por amêndoas deve crescer cerca de 5% no Brasil, impacto considerado “marginal” no balanço mundial de oferta, avalia Marcos Silveira Bernardes, pesquisador da Esalq/USP.
Impacto limitado na cadeia de cacau, dizem especialistas
Embora a mudança fixe novos patamares, boa parte das marcas premium já trabalha acima dos 50% de cacau, enquanto as populares têm recorrido a produtos “sabor chocolate” para driblar o valor da matéria-prima. Analistas lembram que o país responde por apenas 4% da produção mundial e que, graças ao regime de drawback, grandes indústrias costumam importar amêndoas isentas de impostos, reduzindo o potencial benefício imediato para o produtor local.
Além disso, o preço internacional do cacau atingiu a máxima histórica em fevereiro, impulsionado por safras menores na África Ocidental e pelo dólar valorizado. Se essa tendência persistir, o repasse ao consumidor brasileiro pode vir tanto em barras menores quanto em aumentos de preço já na próxima Páscoa, cenário que intensifica a busca de margens por players nacionais.
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Crédito da imagem: Divulgação / G1