Escalada na usina iraniana acende alerta sobre risco nuclear na rota do petróleo
Rosatom — A estatal russa removeu, recentemente, 198 engenheiros e seguranças da central nuclear de Bushehr, no sul do Irã, depois que um guarda iraniano morreu atingido por estilhaços, fato que reforça o temor de interrupções energéticas e pressiona o humor dos mercados globais.
- Em resumo: Retirada foi classificada pela própria Rosatom como “pior cenário possível”.
Evacuação em massa confirma pior cenário projetado pela companhia
Em entrevista a agências locais, o diretor-geral Alexei Likhachev confirmou que os desenvolvimentos “estão se desenrolando da maneira mais adversa” e já foram relatados ao presidente Vladimir Putin. O movimento segue uma série de evacuações iniciadas em fevereiro e ocorre poucas horas depois de a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) notificar danos estruturais no complexo nuclear. Segundo a agência Reuters, não há indicação de vazamento radioativo até o momento.
“A retirada preventiva dos 198 especialistas visa garantir segurança plena diante de hostilidades que ultrapassaram o perímetro da instalação”, afirmou Likhachev.
Por que Bushehr importa para investidores e para o mercado de energia
Inaugurada em 2011, Bushehr é a única usina nuclear de geração comercial do Irã e fica a menos de 300 km do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo global. Qualquer paralisação prolongada poderia encarecer fretes marítimos, elevar prêmios de risco no preço do barril e impulsionar a busca por ativos de proteção, como ouro e títulos do Tesouro norte-americano. Além disso, a tensão adiciona incerteza às negociações sobre o programa atômico iraniano já afetado por sanções ocidentais.
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Crédito da imagem: Divulgação / Reuters