Bolsa Família não é o vilão: gargalo é estrutural e já afeta o preço do metro quadrado
Construção civil — A escassez de pedreiros e mestres de obra voltou ao centro do debate após dirigentes do Sinduscon-SP alertarem que canteiros seguem com vagas abertas, enquanto 70% das obras ainda dependem de métodos tradicionais. O setor, que emprega 8 milhões de pessoas, vê custos subirem e cronogramas deslizarem.
- Em resumo: baixa atratividade, demografia envelhecida e pouca automação explicam o apagão de mão de obra.
Demografia e tecnologia: o combo que apertou o parafuso
Estudo do Ibre-FGV mostra que o Brasil perdeu fôlego na oferta de jovens em idade ativa e pouco investiu em mecanização. Enquanto nos EUA um projeto recorre a mais equipamentos e menos gente, aqui o modelo intensivo em mão de obra resiste, encarecendo a modernização devido à carga tributária sobre bens de capital, segundo análise da Reuters.
“A tecnologia que monta 10 m² de parede em 10 minutos já existe. O problema é que sete em cada dez obras preferem o tijolo e a colher de pedreiro”, reconhece David Fratel, diretor do Sinduscon-SP.
Impacto direto no bolso: imóveis mais caros e margens espremidas
Na prática, a falta de profissionais pressiona salários em até 15% ao ano, segundo construtoras consultadas, e a conta chega ao consumidor na forma de unidades 5% a 8% mais caras. Para investidores, o risco é duplo: erosionar margem de incorporadoras listadas e adiar lançamentos num momento em que a Selic recua, reacendendo a demanda por crédito imobiliário.
No pano de fundo macroeconômico, o PIB da construção avançou 0,7% no 1º tri deste ano, ritmo inferior ao total da economia. Sem força de trabalho qualificada, a meta do governo de reduzir o déficit habitacional em 2 milhões de moradias até 2026 fica ameaçada.
O que você acha? A construção conseguirá se reinventar antes que a inflação imobiliária aperte ainda mais? Para acompanhar outras análises do setor, visite nossa editoria de Mercado Financeiro.
Crédito da imagem: Divulgação / Band