Disputa entre custos empresariais e qualidade de vida entra na reta final
Câmara dos Deputados – Em audiência recente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), líderes empresariais e parlamentares confrontaram números que colocam em xeque a proposta de encurtar a semana de trabalho para quatro dias ou 36 horas. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a mudança pode pressionar preços em mais de 6% e enxugar R$ 76 bilhões do Produto Interno Bruto (PIB).
- Em resumo: Projeto avança, mas setor produtivo prevê repasse de custos e retração do PIB.
R$ 76 bi em jogo: indústria teme perda de competitividade
Sylvia Lorena de Sousa, superintendente da CNI, afirmou que o encurtamento da jornada elevará despesas com folha e, inevitavelmente, chegará ao bolso do consumidor. Estimativas semelhantes são compartilhadas pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e pela CNC, que ressaltam impactos em fretes e passagens. Segundo análise publicada pela Valor Econômico, o repasse de custos tende a acelerar a inflação numa economia que já opera acima da meta.
“Uma redução para 40 horas sem ajuste salarial criaria um choque de custos bilionário, com reflexo direto nos índices de preços”, alertou Sousa na CCJ.
Pressão social x histórico econômico: o que mudou desde 1988?
Defensores das PECs 8/25 e 221/19 lembram que, quando a jornada caiu de 48 para 44 horas, projeções pessimistas não se confirmaram. O relator Paulo Azi (União-BA) questiona por que a negociação coletiva, defendida pelas empresas, não evoluiu espontaneamente. Já parlamentares da ala social, como Patrus Ananias (PT-MG), classificam o regime 6×1 como resquício de um passado escravagista que mina lazer, estudo e convívio familiar.
Economistas observam que, em países da OCDE, reduções de jornada costumam vir acompanhadas de ganhos de produtividade. No Brasil, porém, a produtividade estagnada e a taxa de juros real ainda elevada criam um cenário menos favorável. Se a PEC avançar, empresas poderão buscar automação para amortecer custos, tendência vista após a reforma trabalhista de 2017.
O que você acha? A flexibilização deve priorizar dignidade ou competitividade? Para acompanhar desdobramentos do debate, acesse nossa editoria de Mercado Financeiro.
Crédito da imagem: Divulgação / Agência Câmara