Pressão inflacionária reacende alerta na curva de juros brasileira
Banco Central – A divulgação de um IPCA acima das projeções virou o humor do mercado e provocou abertura expressiva nos vértices curtos da curva de juros, jogando a taxa do DI para janeiro de 2027 a 14,060% – patamar que ameaça encarecer crédito e travar novos investimentos.
- Em resumo: chance de corte de 0,50 p.p. na Selic evaporou; mercado agora vê 90% de probabilidade de redução de apenas 0,25 p.p. no próximo Copom.
Inflação surpreende e derruba apostas mais ousadas
O IPCA de março acelerou 0,88% e contaminou as expectativas para os próximos meses. Segundo dados da Reuters, combustíveis, alimentos e serviços responderam pela maior parte do choque inflacionário, alimentando receios de contaminação de preços administrados no segundo semestre.
DI jan/27: 14,060% (+14 p.b.); DI jan/29: 13,380% (+7,5 p.b.); DI jan/36: 13,455% (−14 p.b.).
Impacto nos EUA amplia cautela global
Não foi só no Brasil que o termômetro esquentou. Nos Estados Unidos, o CPI de março subiu 0,9%, elevando o rendimento do Treasury de dois anos a 3,779% e postergando para setembro a aposta majoritária de corte de juros pelo Federal Reserve. Esse pano de fundo externo reforça a aversão a risco e sustenta o dólar, fenômeno que pode importar mais inflação para a economia doméstica.
O que vem a seguir para a Selic e os investimentos?
Com a Selic estacionada em 14,75% desde agosto de 2023, cada décimo de surpresa no IPCA ganha peso extra na sala de reuniões do Copom. Historicamente, cortes só avançam quando as projeções de inflação para o horizonte relevante cedem abaixo do centro da meta. Por ora, a curva precifica fim de 2024 na casa de 10,5% – mas essas projeções podem subir se o petróleo persistir acima de US$ 90 e o câmbio ultrapassar R$ 5,10.
O que você acha? A pressão inflacionária adia a retomada do crédito ou ainda há espaço para o Copom aliviar a Selic? Para mais análises de mercado, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central